Ela podia escolher viver no mundo paralelo no qual tinha nascido. Só ver o outro mundo de passagem, do carro, virando o rosto nos bairros de tábuas e chão de terra, para olhar as nuvens no horizonte (…) E assim tinham sido as coisas desde sempre, pensava. Quem se atrevia a sonhar e em mudar tudo aquilo?
“A Mulher Habitada” -romance da escritora nicaraguense Gioconda Belli- é, sem sombra de dúvidas, um livro destinado às mulheres habitadas. Mulheres que trazem dentro de si a rebeldia, o sentimento de luta.
“América Latina, década de 70. Ditaduras militares impõem regimes de terror contra os quais grupos de revolucionários idealistas se rebelam”. É neste contexto que a história de duas mulheres se cruzam. Duas mulheres oprimidas que partilham do mesmo sentimento de indignação frente ao tradicional papel submisso que lhes era reservado pela sociedade.
Itzá é índia que abandona seu papel de mulher na aldeia e transforma-se em guerreira ao lado de seu amor, Yarince, na luta contra a invasão espanhola na América. Seu espírito renasce na década de 70 em uma laranjeira, no quintal de Lavínia, em plena ditadura.
Lavínia é arquiteta. Mulher moderna e independente, filha de uma tradicional família aristocrata. Estudou na Europa de onde retornou para morar da cidade fictícia de Fáguas, trazendo consigo ideais humanistas. Mas uma coisa é não se resignar com o Staus quo, outra era pegar em armas. Mas o inconformismo, que antes habitava somente o plano das ideias, toma corpo quando Lavínia conhece seu amor. Tal paixão e a indignação frente as verdades que os jornais não noticiam, estimulam-na a ir à luta.
“Itzá e Lavínia, duas mulheres separadas por quatro séculos e unidas por um sonho romântico de liberdade”.
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