miércoles, 17 de noviembre de 2010

A educação indígena que queremos

“A escola deve ser  formadora de guerreiros...A educação deve reforçar nossa  identidade e ensinar a lutar pelos nossos direitos...A escola deve estar a serviço da comunidade...a escola indígena deve ter autonomia, ser diferenciada, com ensino de qualidade”

Avaliando o momento atual da educação escolar  Kaiowá Guarani, percebeu-se que ainda existe uma distância muito grande entre a escola que queremos e a escola que temos nas comunidades.

escola_indigena_700

Fazendo uma análise do processo de construção da educação escolar indígena, percebeu-se  um caminho promissor já percorrido.Porém continuam muitos e grandes desafios. Apesar dos direitos conquistados na lei, e alguns avanços nas políticas educacionais nas terras indígenas, ainda existe um ranço colonial nas escolas, nas secretarias de educação da maioria dos municípios e do Estado. 

Os marcos legais são muitos e garantem a educação específica, diferenciada e de qualidade, porém na prática ainda falta muito para que a educação escolar que seja para a vida, reforce  a cultura e identidade Guarani, dentro da dinâmica social de construção de um presente e futuro cada vez melhor para os mais de quarenta mil Kaiowá Guarani. O movimento dos professores conseguiu  conquistas, mas está com dificuldade para mantê-las e avançar para novos patamares. “Autonomia é conquista e ação”.

Constatou-se uma paralisação e até retrocesso em vários aspectos da educação escolar nas aldeias.  Isso tem a ver com a luta pela terra, e a  postura antiindigena do atual governo e das elites econômicas e políticas regionais.Não permitem que “se fale e discuta a luta pela terra nas escolas!”. Isso é um absurdo afirmaram as lideranças, pois esse deve ser exatamente um dos temas importantes a serem discutidos na escola, pois dele dependem o futuro do povo Guarani.

Apesar da boa vontade  e consciência dos professores indígenas  o diálogo entre eles e as lideranças tradicionais nem sempre tem sido fácil e continuado.

Uma política e pratica lingüística,  com  reforço da língua Guarani é um  importante instrumento de luta e afirmação da identidade . Porém nem sempre os professores tem conseguido implementar as políticas definidas pelo próprio movimento.

Outra dificuldade constatada é a representação indígena nos espaços de debate e decisão das instituições acadêmicas, educacionais e organismos governamentais. Isso atropela e desrespeita os processos coletivos, próprios das comunidades indígenas.

Dialogando com o passado construindo o futuro

No trabalho em grupos, debates e exposições uma questão sobressaiu – hoje a educação escolar indígena tem uma importância fundamental na consolidação de caminhos para o presente e futuro das comunidades Kaiowá Guarani.  Conseqüentemente a responsabilidade dos mais de 300 professores  indígenas é cada vez maior, não apenas na transmissão de conhecimentos, mas principalmente no diálogo, aprendizado e transmissão da sabedoria  milenar Guarani.  Isso acontece principalmente na convivência da família, nos rituais, na vivencia espiritual nas oga pysy (casas de reza), nos roçados (onde ainda é possível, pois a grande maioria vive nos confinamentos ou na beirar da estrada), na convivência com os sábios(os mais velhos, os ñanderu e  ñandesi), enfim, na hoje difícil vivência nas aldeias, marcadas por muita violência.

Uma das sugestões  para  reforçar o diálogo e a luta pelos direitos é a construção de oga pysy junto das escolas. Esse seria o espaço em que os alunos teriam a transmissão de sabedoria e rituais pelos ñanderu. Seria uma atividade integrada dentro do currículo e projeto pedagógico das escolas. Porém tudo isso certamente exigirá muito diálogo e compromisso das comunidades, hoje muito marcadas por  interferências religiosas e políticas partidárias que se opõem a essa caminhada, dividindo as comunidades.

A partir da década de oitenta, iniciou-se, através do Cimi regional, um trabalho com os professores indígenas. Esse trabalho foi ampliado através da construção de diversos mecanismos e espaços,  articulando-se com instituições em  diversos níveis, desde o local, até o federal. Duas iniciativas importantes nessa caminhada são o Magistério Indígena Ará Verá, que iniciou em 1999 e o curso de licenciatura indígena Teko Arandu,  implantado na Universidade Federal da Grande Dourados, em 2006.

Essa é uma conquista importante dentro do universo de mais de 500 estudantes universitários indígenas no Mato  Grosso do Sul. Sobre a formação, compromisso e responsabilidade desses estudantes   também se fez vários questionamentos. É uma realidade que tem que ser integrado na conjuntura maior da luta do povo por seus direitos, identidade Guarani e autonomia dentro de seus territórios. 

Educação, escola e luta pela terra devem ser um conjunto de ações e estratégias que se articulam e fortalecem  mutuamente.

Uma questão presente deste o inicio do processo de formação dos professores, foi sempre fazê-lo com a participação das lideranças políticas e tradicionais, pois só assim se conseguirá definir uma estratégias de educação a partir, com e para a comunidade. O que está se realizando aqui na aldeia de Cerrito é uma grande Assembléia, Aty Guasu, dos professores e lideranças Kaiowá Guarani.

Egon Heck
Movimento Povo Guarani Grande Povo,

No hay comentarios.:

Publicar un comentario

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Buscar este blog