jueves, 11 de septiembre de 2008

Homenagem e esquecimento

Os atentados de 11 de setembro marcaram o início de uma nova era. Uma era na qual o mundo divide-se entre dois pólos: os supostos Eixo do “bem” e o Eixo do “mal”. Seguindo essa lógica, estamos numa época de combate ao "terror", em que um perigo de ameaça permanente nos ronda e nos amedronta.

Muito mais que um atentando nos moldes hollywoodianos, o ataque às torres em Nova Iorque serviu para corroborar um governo sem apoio e eleito por uma minoria em uma eleição fraudulenta. Além, é claro, de servir como desculpa para posteriores invasões imperialistas ao redor do globo.

A cada ano, os americanos, patriotas exacerbados como só eles, homenageiam as vítimas do 11 de setembro. Esse ano, Obama e McCain celebram juntos um tributo a essa data. Uma demonstração de que a caça aos terroristas não acabou.

Mas uma homenagem muito mais justa e digna está esquecida. Na mesma data, porém nos anos 70, um presidente democraticamente eleito era cruelmente deposto com a ajuda, claro, do “Eixo do bem”, os EUA.

No dia 11 de setembro de 1973, o presidente Salvador Allende resistiu dignamente aos violentos bombardeios dos aviões sobre o palácio de La Moneda, sede do governo chileno.
Mas ao invés de renunciar, Allende preferiu ir à luta. Empunhando um fuzil soviético, presente de Fidel e um capacete recebido de trabalhadores mineiros chilenos, Allende entregou a vida pelo mandato que havia prometido cumprir até o final ou morrer em sua defesa. E morreu. O “Eixo do bem” comemora, pois o “perigo comunista” está definitivamente afastado. Valeu o financiamento norte-americano. Enfim, o discurso de paz e democracia pode reinar livremente pelo Chile, como em outros países da América Latina que tiveram a mesma “ajuda” do Tio Sam.

Ao Chile restou um governo sob o comando de um general: o Pinochet. Começa, então, a mais terrível de todas as ditaduras latino americanas. O país ficou conhecido como um exemplo mundial de regime de terror. Seqüestros, desaparecimentos, mortes. Quatro mil pessoas, aproximadamente, foram consideradas oficialmente mortas pelo regime.

Hoje, enquanto o mundo todo pára para compartilhar a dor das vítimas dos atentados ao World Trade Center, em Nova Iorque, um outro atentado, também no 11 de setembro, permanece esquecido, nesse, os americanos é que eram os “terroristas”.

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