Dentro de um caminhão de côco, ouvindo Raul Seixas. Foi assim que “Intergalático Ciberneticalmente de Outras Galáxias” (como gosta de ser chamado) veio parar nas movimentadas calçadas da Praça Sete. Com seus longos dreads e um enorme cajado feito de durepox, presente de um amigo, “Intergalático” chama a atenção de quem passa pela praça.
Fruto de uma “mistura cósmica” realizada por seus pais, o hippie, que é de Salvador – BA, mora há mais de dois anos em Belo Horizonte, onde às terças, quintas e sábados dá aulas de dança afro e capoeira. Descalço, e sem se afastar de seu cajado, “Intergalático” produz e vende seus trabalhos manuais: são brincos, colares, pulseiras etc. “Obras de arte” como ele mesmo define.
A praça é para ele, um lugar com uma forte energia, que eleva o espírito. Seu inseparável cajado é a representação da heterogeneidade desse ambiente. Cada detalhe do objeto representa um pouco as pessoas que passam pelo local. Os diferentes cristais, búzios, desenhos e cores que adornam o artefato atraem os olhares dos mais curiosos.
Apesar de se divertir bastante no local, viver na praça não é só festa. Após abandonar sua casa em Salvador, “Intergalático” viajou pelas maravilhosas praias da Bahia e do Rio de Janeiro e, de carona, na boleia de um caminhão, veio parar em Minas.
Durante o dia, se diverte e vende seus artesanatos. Ao entardecer, curte uma música na porta de um dos bares do quarteirão, mas à noite a festa acaba. É nesse horário que surgem os “fiscais do sono”. Assim são conhecidos os fiscais da prefeitura, que segundo “Intergalático”, são ajudados pela Polícia Militar a recolher cobertores, deixando descobertos os moradores de rua.
Apesar de “tudo”, “Intergalático” é feliz. Acredita no amor e sonha em reencontrar Olívia, uma borboleta que pousou e se foi. Ainda hoje, ele acredita que isso não foi real, mas prefere continuar SONHANDO.
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