La Candelária é o bairro mais antigo da cidade de Bogotá. A capital colombiana foi criada em 1538, pelo conquistador espanhol Gonzalo Jiménez de Quesada. A ideia era fazer um assentamento urbano junto aos cerros orientais, onde no lugar era um povoado indígena chamado Teusaquillo.
El Chorro de Quevedo, onde tudo começou:
Em 6 de agosto desse ano, na atual Plaza del Chorro foi fundada a cidade com o nome inicial de Nuestra Señora de la Esperanza. No ano seguinte, quando se converteu à capital do Novo Reino de Granada, foi rebatizada como Santafé.
Meu passeio começou na estação Museo del Oro do transmilênio - um transporte de passageiros com linhas exclusivas e ônibus articulados. O centro de Bogotá é movimentado. À frente, várias barracas enchem de cor o local. Nelas são vendidas roupas, bolsas e lindos artesanatos. Para chegar à Plaza Bolivar, caminhei pela carrera sétima - uma atração à parte com seus postes coloridamente rebeldes. Pedidos de menos violência, mais educação, liberdade enchem a avenida de vida.
A carrera sétima é movimentada, possui muitas lojas, cafeterias e restaurantes. Além de lojas com cabines telefõnicas, onde é possível fazer chamadas internacionais por aproximadamente 400 pesos o minuto – o que em reais seria o equivalente a mais ou menos R$ 0.40. Na rua também é possível fazer ligações. É um pouco estranho para quem não é da cidade, mas aqui é super normal. Várias pessoas oferecem o serviço de ligação para qualquer operadora de celular ou telefones fixos por 150 a 200 pesos.
Entre as carreras 7° e 8° e as calles 10 e 11 fica a Plaza Bolivar, o coração da cidade. No centro da praça há uma estátua de Simon Bolivar, uma das primeiras homenagens na América Latina ao libertador. A praça é emoldurada por predios que representam os diferentes poderes do pais: a Catedral, originária do século XVI; o Capitólio Nacinal – prédio do Congresso; a Alcadia (prefeitura) de Bogotá e o Palácio da Justiça, onde em 1985 o exercito colombiano invadiu matando os 35 guerrilheiros do M19 que o ocupavam como também dezenas de pessoas que estavam no local.
As ruas de La Candelária são coloridas e o entardecer torna esse local mais belo ainda. As construções do século XVI estão muito conservadas. Entre a carrera 6 e 7, cercada por enormes palemeiras, encontramos a Plazuela de Rufino Cuervo, um erudito colombiano. Ao lado, a casa que mais me chamou a atenção: o lugar onde foi a residência de Manuela Sáenz; companheira de Simon Bolivar, uma das mais importantes lideranças femininas no processo de independência das Américas.
Casa de Manuela Sáenz, atual Museo de Trajes Regionales de Colômbia
É preciso um pouco de preparo físico para caminhar por essas ruas, não somente pela paisagem de tirar o fôlego, mas devido aos mais de 2.600 metros de altura. Mas as coloridas casas coloniais valem qualquer esforço por essas ladeiras de pedra e o pôr do sol lá no alto do bairro é recompesador.
Vista sobre o setor colonial – centro de Bogotá
Para matar a fome e descansar, claro, vale a pena ir a uma das dezenas de cafeterias espalhadas durante o caminho. Aliás, esse é um destino que não pode deixar de ir quando se está na Colômbia, o café daqui é fenomenal. Mas atenção, se quiser um café puro, peça um tinto; se pedrir somente um café receberá um café com leite. Ambos são deliciosamente ricos. E para acompanhar, nada melhor do que uma almojábana. É um bolinho de queijo feito com farinha de milho. Em geral, as cafeterias são bem baratas, mas se preferir um lugar mais charmoso, dou a dica do El Gato Gris, uma cafeteria que fica em uma ruela próxima à Plaza del Chorro. Lá, não hesite em pedir um canelazo para esquentar do frio. É uma bebida a base de águapanela ( água com rapadura), suco de limão, canela, e aguardente.
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O caminho de volta, requer um pouco de cuidado, principalemte se for à noite, embora seja uma rota turística, as ruas são estreitas e um pouco desertas. Mas uma parada é essencial para quem, como eu, adora produtos naturais. Uma casinha cor de rosa colorida abriga a loja Nativo, onde é possível encontrar roupas, pedras, artesanatos e incensos naturais, como o palo santo – a dois mil pesos um pacote.
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